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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Depois da tempestade

Vem aquilo que todos sabem. A semana que passou foi de grande inquietação mental, e física também, inevitavelmente. Felizmente o tempo não fica suspenso nessa inconstância e a normalidade instala-se. Por norma, por aqui, é assim.
O Gui regressou ontem à escola. A mãe também. Sensação agridoce. Regressar ao trabalho, adaptar-me as trabalhos estagnados. Começar outra vez. Por outro lado, estar circunscrita às "quatro" paredes de minha casa, pela pior causa de todas, faz-me sentir inútil e inerte.
Então: o Gui continua a tomar o seu antibiótico e, talvez por isso, está em plena forma. Hoje, possivelmente, iremos à aula de Gymboree com a amiga F. A alimentação (o seu calcanhar de Aquiles) continua má e o "homem do saco cinzento, grande e escuro" ainda não partiu.
Da terapia da fala registamos o seguinte: o processo deverá ser mais simples e curto do que inicialmente imaginámos. Os exercícios que tem de fazer obrigatoriamente têm uma alternativa menos inflexível e ele fá-los sem notar. E, todos eles, são de uma simplicidade cruel. Pequenos passos para grandes conquistas. É possível compreender que gestos tão simples como os que tem agora e que raramente concretizava, poderiam ter feito a diferença e talvez não tivesse de se submeter a esta etapa neste momento.
p.ex:
- Soprar através de uma palha.
- Beber por uma palha.
- Soprar
- Encher balões
- Apitar (língua da sogra ou o apito do papá)
- Encher a boca com líquidos.
- etc.
Portanto, enquanto mãe, aqui deixo o meu conselho:
Deixem-nos fazer tudo... :-)... se antes queria que ele bebesse água por um copo, agora quero muito que conquiste a palha... outra vez ;-).

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Uma semana depois...




... a febre foi. Finalmente. O meu pobre bebé... acalmou e já está muito melhor. Ontem recebeu duas prendas qua andava a pedir há algum tempo... ele merece e vai com certeza ajudar no seu desenvolvimento criativo... que não é pouco... como não tinha pensado nelas antes???? Um quadro negro para brincar com giz e um quadro magnético para desenhar e apagar milhares de vezes... Desejou-as muito desde o dia em que as viu em casa de uma amiguinha. Adiei até ontem... e acho que fiz tão bem!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quadro clínico...

...é o seguinte: após 5 dias com febres demasiado altas, alguém, finalmente, soube dizer-me qual a causa: uma rinofaringite. Não sei se é assim que se escreve, mas sei que o meu menino continua com temperaturas que passam frequentemente os 39º. Ontem fomos procurar ajuda duas vezes. A primeira às urgências onde nos foi dito que devíamos aguardar... até a febre passar. 11h. A segunda, no consultório pediátrico, onde nos foi dada a tal resposta concreta e prescrito mais um antibiótico, desta vez para fazer durante 7 dias...
Agora pergunto: de manhã até à tarde a situação era assim tão diferente? Ou o médico (que centenas de pessoas apelidam como o melhor da ilha) é mesmo um incompetente arrogante? Perdoem-me, mas estou farta deste sistema de saúde e destes médicos que não valorizam os sinais que referimos aquando das nossas preocupações: "ele podia estar um mês com febre, não seria o primeiro, nem será o último... ele está a sorrir e isso é que importa. Pode dizer-me que normalmente ele estaria aos saltos e a correr, mas não está abatido e a desmaiar..." Pois não. Tirando o facto de estar sob o efeito de brufen e rodeado de 3 médicos que estão a meter conversa com ele... estou fartinha.
Outra noite de sofrimento a que passou. Mais um dia sem se alimentar... mais um dia em que tenho de inventar a história macabra do homem do saco que vem e leva os meninos que não comem, para que ingira algum alimento...
rezo agora para que o antibiótico faça efeito antes das 48h. Porque me foi dito que só após esse período é que começa a fazer efeito. Já fez duas tomas... e rezo fortemente para que isso não aconteça nesta situação. Garantiram-me ainda que posso esperar por febre pelo menos mais 3 dias. Alguém tem uma varinha de condão e fazer um feitiço bom??? Estamos mesmo a precisar. Obrigada

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Terapia da fala


...esquecendo a febre... a terapia da fala.

Já tivemos duas sessões, ambas diagonósticas. Dessas sessões resultou o que já era esperado (mais uma vez: coração de mãe sabe sempre... 6º sentido garantido no nosso género...): o Gui tem evidentemente um problema fonológico, não de desenvolvimento da linguagem. Detectou-se, através dos vários testes, dificuldade em pronunciar sons, especificamente quase todos os que implicam movimentos com os lábios: B, V, F, P... basicamente. Tem muita facilidade em usar a língua quando os sons necessitam da sua interacção com os dentes e o céu da boca. Tem a arcada superior ligeiramente projectada e os dentes mais arqueados graças ao uso da chupeta durante o sono. Assim, as regras são estas: tirar a chupeta, abusar de tudo o que implique mastigação e trabalho maxilar, brincar com os sons com os quais tem mais dificuldade. Ontem faltámos à sessão 1 de aprendizagem das técnicas a desenvolver. Por isso, até à próxima, mantemos o nosso registo de brincadeiras com os carros e tudo o que possa envolver sons. Inventámos algumas regras que já tínhamos aplicado há uns meses nestas mesmas brincadeira. Instintivamente. Agora confirmadas. Os carros têm de fazer sons como: vrum, vává, vuvu, fum, fifi, bram e o habitual pipi ;-)... no drama, penso eu. Já passámos por tantas coisas... só queremos acelerar o processo.

Ele já se apercebeu. Não sei se é bom ou mau. Mas ontem ele dizía: "Mãe, não consigo dizer "xa"(va)"... :-( coração de mãe sofre.


Da consulta não vêm só notícias menos boas. É que, se por um lado, há dificuldade fonológica em determinados sons, por outro lado, ao nível do desenvolvimento linguístico e de raciocínio é exactamente ao contrário... por isso... desde que o tempo resolva este "pequeno" problema, ansiamos rapidamente por ouvir tudo o que sabe, sem se engasgar. Esperamos por isso com fé.
E agora, só em tipo de reflexão, eu pergunto, tal como perguntei à médica que o está a acompanhar: "E se... fossemos pais ausentes e despreocupados? E se não conversássemos com ele? E se não estivéssemos permanentemente "lá"? E se não brincássemos e não contássemos histórias? E se não fossemos à biblioteca, aos museus, aos correios...? E se não lhe explicássemos nada do que o rodeia?" Resolver-se-ia sem terapia? O problema seria maior e mais grave? Como explicar que isto aconteça a uma criança que tem "tudo" para si. Tudo significa: os bens mais preciosos. Amor, carinho, atenção, aconchego, mimo, calor, olhares, ternura... tudo. Como será com aquelas crianças (porque as há, infelizmente...) que "nada" têm? A "coisa" resolve-se só por si... terá de ser a escola, num período mais tardio, a resolver a questão? Ou ninguém actua e a criança poderá num futuro mais ou menos longínquo ter problemas... dos mais diversos pontos de vista?
Questões de mãe, apenas. Mãe de primeira viagem, mãe de um, mãe preocupada, ligeiramente revoltada, inconformada, persistente e teimosa q.b..
E... depois há internet... que assusta. Mais vale não ler, não ver, não ouvir, não saber... noc noc (na madeira... da mesa do escritório... não a do Alberto João Jardim...).